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Governação "à vista"...

por Ana Gabriela A. S. Fernandes, em 28.07.08

Uma breve interrupção nos textos dos jornais, que recorrem ao humor, para um breve comentário sobre a governação PS:

 

Bem... já percebi que há maneiras e maneiras de governar. Mas esta governação "à vista", ainda por cima à vista desarmada, do PS, transcende-me!

 

É nestas alturas, e já aqui o disse também, que gostava de ter conhecimentos de economia que me apoiassem nos argumentos! Mas julgo não precisar de conhecimentos de economia para perceber que a governação PS não segue planos definidos, nem uma linha de orientação, a não ser esta: vai-se buscar o dinheiro onde ele existe.

 

Primeiro, foi ao cidadão e às empresas. Mesmo aos que já viviam em situação precária. Agora, que o cidadão e as empresas já estão liofilizados, digamos assim, tem de se farejar outras fontes de rendimento. Truques não lhes faltam.

 

Mesmo que ninguém queira ver as evidências, desde o início que se tratou de uma mega-operação de marketing, muito bem vendido, porque embrulhado no tal alibi de pôr as contas em ordem.  Sim, uma operação de marketing de tal modo eficaz, que os cidadãos e as empresas pagaram a conta até onde lhes foi possível, e muitos ainda agradecem ao querido governo ter posto as contas em dia!

 

Há qualquer coisa de crédulo e masoquista no cidadão português. Não se limitou a engolir sem pestanejar tudo o que a máquina PS lhe deu: informação pisada e repisada nas televisões e na imprensa, registo agressivo dos discursos na Assembleia da República, encenação do espectáculo com figurantes e tudo! É que, mesmo refilando nas antenas abertas, qualquer coisa me diz que o cidadão português prefere esta linguagem do poder do que pensar pela sua própria cabeça, confiar nos seus neurónios.

 

Mas há também um lado perverso nesta governação "à vista", improvisada, de "novo rico". É a rede de influências e dependências que esta máquina PS construiu e aperfeiçoou, como verdadeiros tecnocratas, burocratas do sistema. De tal modo que o seu marketing bem oleado está em pleno e irá estar em pleno na próxima fase que se avizinha da campanha eleitoral.

 

A bem dizer, o PS nunca deixou de estar em campanha eleitoral porque, como referi acima, mesmo na pílula difícil de engolir, dos impostos, se escudou no tal alibi das contas públicas! Por "nova fase de marketing", refiro-me à próxima fase da campanha: distribuir umas migalhas pelo cidadão, com o nome interessante de "medidas estruturais" (!), a norte e a sul, incentivos às empresas, distribuição estratégica de lugares e informação privilegiada, para captar e manter dependências. E assim, o sistema.

 

Pacheco Pereira referiu ontem, no programa "Pedro Rolo Duarte" da Antena 1, que muito do debate político passou para o mundo dos blogues, ainda que muitas vezes revelem "a opinião ligeira", "os ódios e os amores", "o preto e o branco", e às vezes também a ausência de uma base credível, de uma argumentação bem fundamentada, como ainda vemos nos jornais e nos livros.

 

É verdade. Mas é também verdade que, mesmo que eu não consiga (ainda) encontrar uma fórmula para descodificar a governação PS... sinto que estou muito próxima de a perceber... o padrão começa a formar-se, o puzzle a compor-se.  Não foi fácil, porque, como referi acima, me transcende. As razões invocadas na grande operação de marketing inicial, por exemplo, mas sobretudo a grande lata das nossas actuais elites no poder. Sim, a grande lata. Com a qual eu nunca iria contar.

 

Posso já adiantar algumas palavras-chave que me ajudaram nesta descodificação:

 

pragmatismo;

marketing político;

sociedade-espectáculo;

marcas de sucesso: aeroporto, allgarve, banca, energia, fado, futebol, tgv, etc.;

instantâneo/a aplicado a: sucesso, educação, formação, etc.;

 

 

Obs.: Até na defesa deste estranho acordo ortográfico há qualquer coisa de transcendente: um dos argumentos que li até me lembrou uma extracção dentária: "só custa nos primeiros dias.... depois vai ver que até se esquece..." Ninguém se lembraria de podar uma árvore pela raíz!? Vai-se aos ramos, com sensibilidade e ciência...

 

 

publicado às 15:31

Tanto barulho para nada...

por Ana Gabriela A. S. Fernandes, em 18.07.08

Razão tem Hercule Poirot, o famoso detective da Agatha Christie, que utiliza o método infalível de se sentar e pensar: "treinar as células cinzentas" (esta série passa na RTP Memória, descobri recentemente, à tarde e ao início da noite).

 

Fala-se demais, há demasiado ruído. No meio da histeria colectiva poucos param para pensar e "treinar as células cinzentas". Porque, se o fizessem, a realidade começava a surgir-lhes à frente, cada vez mais nítida, cada vez mais compreensível.

 

Os canais de televisão têm uma enorme responsabilidade neste propagar de um ruído, tantas vezes fútil, inútil, alienante. Desdobram-se em concursos, júris, palmas, telenovelas, notícias de catástrofes... Ouvir um(a) jornalista a relatar no local um acontecimento fora do comum pode colocar os cabelos em pé de um simples telespectador. A agitação instalou-se.

 

Para juntar as peças do puzzle, e ver de vários ângulos, e tentar várias composições, é preciso espaço e tempo para observar, ouvir, analisar, assimilar, ver de novo, pensar. E isso não pode fazer-se em segundos, de forma instantânea. Mas estamos em plena era do imediato, do ritmo alucinante. Tudo tem de ser em directo, na hora, na precipitação, na agitação.

 

Espaço e tempo passaram a ser luxos de alguns privilegiados que podem pensar antes de decidir. Se as pessoas tivessem a noção de que podem conquistar algum espaço e tempo para pensar, só esse facto, ter consciência desse facto, alteraria imenso as suas vidas e de forma positiva.

 

Aprende-se imenso com Hercule Poirot e trata-se de uma personagem de ficção. Nas suas investigações percebemos essa postura sempre céptica: O que parece tantas vezes não é. (Geralmente não é mesmo!)

 

Mesmo que a cultura dominante desta sociedade-espectáculo nos pressione para um ritmo acelerado, alienado, de meros consumidores acríticos, ainda assim podemos parar e pensar! Esse espaço, esse tempo, é nosso. Devemos reconquistá-lo e defendê-lo com unhas e dentes. Não engolir tudo o que nos tentam impingir, desde produtos, serviços, realidades. Questionar sempre. "Treinar as células cinzentas".

 

 

Obs.: Tenho apagado todos os posts que foram ficando desactualizados (ou porque as situações se resolveram ou porque os assuntos já estavam esgotados), mas este, da série televisiva inglesa que nos impingiram, Os Tudor, uma autêntica fraude histórica e um verdadeiro atentado cultural, que aqui incluí com o título Orgulho e Preconceito, vai voltar esta semana à RTP1! À televisão pública!)

 

publicado às 17:51

Os grandes desafios da Europa

por Ana Gabriela A. S. Fernandes, em 16.07.08

A Europa terá de se redefinir, redesenhar, reinventar. Terá de surgir em breve uma NOVA CULTURA mais abrangente e mais eficaz. Terá de deixar pelo caminho uma mentalidade que já não se adapta nem responde aos novos desafios mundiais. Refiro-me a uma mentalidade de clubes privados, sociedades secretas e interesses opacos. A tal mentalidade da economia às fatias, que parte do pressuposto que não há lugar ao sol para todos.

 

Para isso terão de se abrir a compromissos, aceitar fazer algumas cedências, que antes lhes pareceriam impensáveis. E para quê? Para o interesse comum europeu, em que todos têm um lugar e uma voz. Isto implica renovar os recursos humanos, de cima abaixo. Deve haver, pela própria lei das probabilidades, recursos humanos com visão, criatividade, perspicácia, dinamismo. Sobretudo capazes de dialogar e negociar. Aproveitem-nos. Afinal, os recursos humanos são a principal riqueza dos países e das organizações.

 

VER a realidade é uma sabedoria, antecipar-se, uma arte. A política deveria ser, cada vez mais, esta capacidade de antecipação. E não de uns alinhavos e remendos e acrescentos, que não honram os seus pioneiros, os visionários, nem nos levam a lado nenhum. 

 

publicado às 17:38

A dupla responsabilidade do PSD

por Ana Gabriela A. S. Fernandes, em 11.07.08

O actual governo socialista, a sua claque mimética parlamentar e os diversos e disseminados opinion makers oficiais e simpatizantes, desdobram-se em esforços patéticos para levar o PSD a reboque, para o atrelar às suas opções políticas, às suas decisões irreflectidas e irresponsáveis.

 

Agora exigem que o PSD alinhe de forma acéfala, irreflectida e irresponsável no seu plano salvífico de novo riquismo, um investimento público de enormes dimensões, lançando os encargos financeiros para os que vierem a seguir, para as gerações futuras, "lá para 2014", como referiu Paulo Rangel. Para camuflar a nossa crise económica que já é estrutural!

 

E vejam só o nível do programa! O PM a tentar esfregar na cara de Paulo Rangel os estudos financeiros "que estão disponíveis na net" e que são de 2003 e 2004! Com a velocidade e os imponderáveis da actual mudança conjuntural, qualquer estudo rigoroso e credível de 2007 já estaria desactualizado hoje, quanto mais estudos de há 4 e 5 anos!? Ainda não se aperceberam que vivemos em pleno período de transição? Se ainda nem fazemos ideia da dimensão e dos contornos das alterações económicas a nível mundial e das adaptações que irão implicar inevitavelmente, todos os possíveis acertos...

 

Não se trata de ficar estagnado, de não querer investir, trata-se de investir nas áreas certas e ter a capacidade de tomar as decisões mais adequadas e eficazes. E para isso é preciso ter acesso aos números, aos tais projectos e operações financeiras.

 

Espero que o PSD saiba distanciar-se destas pressóes e  chantagens. Essa é uma das suas responsabilidades como oposição. Que não se deixe levar a reboque. Nem pela tentação do centrão. O centrão teria precisamente este resultado: atrelar o PSD e, com ele, o país, nesse caminho para a dimensão virtual... Que continuem a definir as diferenças de filosofia política, porque as há e são inconciliáveis. Como seria possível ao PSD alinhar no "dirigismo político" de um Estado que tudo quer comandar e controlar e desconfia do dinamismo e autonomia empresarial?  

 

A outra responsabilidade é construir uma nova cultura política no país. Já alinhavada por Manuela Ferreira Leite e agora destacada por Paulo Rangel: "um contrato de verdade com os portugueses", reforçando "o valor da verdade, o valor da autenticidade" e exigindo, sim, "a fiabilidade dos números". Porque, como referiu Paulo Rangel, este é "o governo da abstracção numérica".

 

publicado às 13:08

Só por esta frase de Paulo Rangel valeu a pena acompanhar (ainda que selectivamente), o debate parlamentar de ontem, dia 10, sobre "o Estado da Nação".

 

Frase por mim aguardada e há tanto tempo... ouvi-la ontem foi poesia para os meus ouvidos tão maltratados...

 

Não foi a única frase inspirada e certeira. Houve outras, mas esta... vou saboreá-la ainda por muito tempo!

 

É absolutamente verdade! "A falta de exigência e de rigor é o melhor caminho para a exclusão social". Quem tem meios apoia os filhos na escola ou coloca-os nas escolas melhores. Quem não tem meios só tem esta Escola, a Escola pública. Respeitar estes jovens é dar-lhes a possibilidade de um ensino de qualidade, que os prepare para o futuro. Ou a inclusão é só para as estatísticas do ministério?

 

publicado às 12:42

A política caseira é muito indigesta...

por Ana Gabriela A. S. Fernandes, em 09.07.08

Diz o Dr. Marcelo Rebelo de Sousa que Dias Loureiro foi elogioso para o actual PM (já não me lembro em que contexto, porque passei a filtrar a informação política caseira para a tornar digerível...). Tudo bem. Pode ser. Mas o que é que o Dr. anda a fazer nos últimos programas como opinion maker? Não vestiu o fato de treino de political personal trainer do actual PM? E com a ajuda preciosa de Maria Flor Pedroso, que bebe as suas sábias palavras no que toca à imagem do PM!? Que par fabuloso fariam na Roma imperial... na BD do Astérix e Obélix...

 

Então vejamos:

 

Na análise comparativa das entrevistas da semana, de Manuela Ferreira Leite na 3ª e do PM na 4ª, o Dr. acha que sim, que Manuela Ferreira Leite deve especificar as grandes orientações políticas e novas prioridades e medidas propostas.

 

Manuela Ferreira Leite já especificou o suficiente com os dados e informação que possui. Ponto final. Já explicou que só conhecendo a fundo os dossiers e os estudos pode avançar com medidas concretas. Correctíssimo. 

 

O PM referiu na entrevista que os estudos estão na net. Hoje espreito as notícias e o que ouço? Mota Pinto a exigir ao governo a disponibilização de informação sobre as condições, custos, riscos, das grandes operações financeiras do Estado, respeitando o Estatuto dos Direitos Constitucionais da Oposição. Mota Pinto acrescenta que não há disponível na net qualquer informação relevante.

 

É uma chatice viver em democracia, não é? Que seca, ter de disponibilizar informação sobre os grandes negócios do Estado, dos investimentos públicos! Que seca sermos escrutinados e questionados e responsabilizados! Que grande chatice!

 

Quanto às especificidades: percebi perfeitamente as novas orientações gerais de Manuela Ferreira Leite, as novas prioridades, uma nova cultura política, uma nova postura política, mais séria e responsável. Não preciso de especificidades, quando sei que os estudos que interessam a um governante não estão na net e uma avaliação séria e credível custos-benefício até estará por fazer, porque A CONJUNTURA ECONÓMICA GLOBAL MUDOU. Terão de ser efectuadas novas avaliações e projecções considerando diversos cenários, e isto para acertar as agulhas. Chama-se a isto gerir.

 

Ora, como todos já percebemos, o PS simplesmente não está preparado para esta nova conjuntura. Governou desde o início em função de um único cenário projectado, QUE NEM ERA UM CENÁRIO REAL, ERA PURA FANTASIA.  A nossa economia não podia suportar aquela voracidade fiscal que tudo aspirou, pequenas e médias empresas, pobres e remediados, reformados, portadores de deficiência. Aliás, governou como bem quis, sem abrir o jogo, fez o que bem lhe apeteceu e ainda lhe sobrou tempo PARA GOZAR COM A OPOSIÇÃO, tendo até desenvolvido tiques de autoritarismo face a inimigos de estimação.

 

Falar agora de especificidades é verdadeiramente risível. E de qualquer modo, não é da responsabilidade de Manuela Ferreira Leite elaborar o Orçamento de Estado para 2009. Chama-se a isso governar.

 

publicado às 12:40

A linguagem do poder

por Ana Gabriela A. S. Fernandes, em 08.07.08

Visitei The Huffington Post e uma coisa tenho de reconhecer: estes democratas sabem usar a net, são verdadeiros experts na construção de sites apelativos, criativos, funcionais, eficazes.

 

Não admira que Obama tenha conseguido ganhar a corrida no partido democrata, com este verdadeiro batalhão de gurus da net, que dominam como ninguém uma nova cultura de comunicação e de marketing político, uma rede comunicacional imbatível.

 

Estes sites, além de verdadeiras obras de arte e de engenharia, no design e na funcionalidade, permitem a inscrição e a divulgação imediata de conteúdos e de informação e estão abertos ao feed-back, à participação. Melhor é praticamente impossível.

 

Quanto aos conteúdos propriamente ditos, não posso pronunciar-me porque não domino as questões essenciais e actuais da política americana, a não ser as questões mais gerais.

 

Acho de certo modo discutíveis alguns métodos democratas de spots publicitários, como um recente sobre McCain, divulgado no The Daily Show, em que procuram colá-lo a Bush, mas que é eficaz sem dúvida: McCain, McSame.

 

O que terá assustado Arianne Huffington? Isto partindo do princípio que alguma coisa terá ocorrido para se ter transformado numa quase fundamentalista anti-McCain. Uma coisa é certa: no referido spot, vemos um excerto de uma palestra ou conferência de McCain em que fala sobre a guerra do Iraque. E ouvimo-lo dizer uma frase que, assim solta no espaço e no tempo soa muitíssimo preocupante: There will be another wars. 

 

Não sei mesmo se será possível contextualizar uma frase destas, de forma a soar-nos como sensata ou saudável. Soa a loucura, obsessão, insanidade. De facto, o trunfo mais utilizado pelos republicanos tem sido o instilar do medo do terrorismo, dando prioridade à segurança nacional contra ameaças reais e às vezes alucinadas. Terão de rever esta postura, porque esta linguagem é preocupante. Jogar com o medo e a construção de inimigos é a pior forma de gerir o poder. E a mais perigosa também. É preciso prever cenários e sobretudo prevenir o recurso à guerra, à violência. Esse é o nosso maior desafio actual.

 

Sim, a linguagem do poder  tem os seus recursos. Obama transformou-se no feiticeiro, no ilusionista, no guru, no Messias, que diz às pessoas exactamente o que elas querem ouvir e que tudo promete resolver. Utiliza várias artes e manhas e truques tecnológicos e uma imagem que lhe serve na perfeição de afro-americano, quando na realidade não representa a cultura afro-americana, a sua história, o seu percurso. A cultura que absorveu é a cultura da comunidade branca. Mas como poderia ter sido de outra forma? A mãe é branca e foi com ela que cresceu. Utiliza este trunfo a seu favor e seria óptimo, se representasse uma verdadeira síntese cultural.

 

O que nos reservarão estas eleições americanas?

 

publicado às 15:34

Hard Talk, da bbc world news

por Ana Gabriela A. S. Fernandes, em 03.07.08

As únicas excepções à minha promessa de não deprimir com a política nacional e internacional são as entrevistas de Stephen Sackur no programa Hard Talk da bbc.world news.

 

Acompanhei com muito interesse a Harold Ford Jr., candidato ao senado pelo Tennessee e que apoia a candidatura de Obama. Achei interessante a forma como o jornalista lhe colocou algumas questões, como a de Obama se exprimir como um Messias. Citou uma frase realmente messiânica de Obama e questionou-o sobre uma possível decepção dos democratas. Harold Ford defendeu-se como um verdadeiro expert de marketing político, mas não convenceu. Os argumentos democratas a favor de Obama são bastante frágeis, diga-se de passagem. Colam alguns slogans e já está. Vão buscar algumas frases célebres de Lincoln, Kennedy, Martin Luther King e está a andar.

 

Já a entrevista à political blogger Arianne Huffington foi revoltante. Stephen Sackur encostou-a à parede relativamente à ética, ou antes, à falta dela, que caracteriza o seu Blog. Parece que Arianne não respeita regras jornalísticas para obter os seus objectivos. Achei interessante a designação de partisan website. E confrontou-a com o facto de ter colocado no seu Blog conversas privadas tidas num jantar com McCain. E lembrou-lhe uma frase sua: I'll do whatever I can do to prevent McCain to win. Interessante... os ethical issues. Arianne é uma amostra da propaganda de Obama, esse verdadeiro fenómeno criado pela internet.

 

Depois destas amostras, um alívio ao ouvir um octogenário Tonny Benn, do partido trabalhista, que fez parte de um governo penso que nos anos 60 e que ainda conviveu com Churchill. Defendeu com unhas e dentes e argumentos fundamentados a ideia fundamental da democracia.  Uma verdadeira voz dissonante, este Tonny Benn. Opôs-se à guerra do Iraque e aqui é intransigente: It was wrong to go to Iraq. Considerou mesmo esta decisão de Bush e de Blair um world crime.

Em relação a Guantánamo e a outros exemplos de ausência de respeito pelos direitos humanos, como prisão preventiva durante um período prolongado, também não transige: Once you surrender human rights you surrender democracy. Em relação à União Europeia, é muito crítico e defende o referendo. The power is given by people. They only lend it to politicians. 

Defende uma cooperação próxima com a Europa, diz acreditar nas Nações Unidas e considera-se um internacionalista. Considera, no entanto, que a democracia está a ser desvirtuada e fragilizada. E que estes abusos de poder dos políticos actuais, poder que lhes é atribuído pelos cidadãos, irá terminar em nacionalismos. Os políticos, segundo Tonny Benn, estão a utilizar um poder que não é seu, esquecendo-se que lhes é conferido pelos cidadãos durante um determinado período.  

 

 

publicado às 17:48


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